quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Fado em Copacabana, 100 anos de Cartola e Rio de Janeiro: Tolerância 100

Alma Lusa (a) em Copacabana
Foi ontem, 11 de Outubro, na Cafeteria Carioca, um lugar de gente simpática na Barata Ribeiro, quase em frente ao Metro de Arco Verde. Ao almoço de sábado tem uma feijoada deliciosa, acompanhada por Chorinho ao vivo: um luxo!
À noite teve fado! Por muito estranho que possa parecer, a casa estava à pinha. A fadista era Stela Alves, portuguesa radicada em Teresópolis. Com um vozeirão que Deus lhe deu e ela aprimorou, cantou com alma vários clássicos do fado, mas também "Ser Poeta É", o poema de Florbela Espanca cantado por Luis Represas, Tango Ribeirinho, de Ary dos Santos, e Coimbra. O público sabia as letras e acompanhava os fados mais conhecidos. No refrão de Coimbra "e aprendi-si à dizê sáu-dá-dji" rolou a lagriminha ao canto do olho... coisa de português!
a) Que me desculpe o Edgar Canelas o plágio do título, mas não me ocorreu melhor...


100 anos de Cartola: As Rosas Não Falam
Seu Agenor Carvalho (erradamente registado no Cartório como Angenor) nasceu em 11 de Outubro de 1908 no bairro do Catete no Rio de Janeiro. Sambista e poeta, Cartola marcou o samba com o seu cunho pessoal, e fundou em 1928 a mítica Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.
Ontem estive lá, a minha forma de prestar homenagem ao autor de "As Rosas não Falam": Queixo-me às rosas / Mas que bobagem / As rosas não falam / Simplesmente as rosas exalam / O perfume que roubam de ti...
Lindo!






Rio de Janeiro: Tolerância 100!
Em apenas 12 horas Copacabana assistiu a três importantes eventos, que no seu conjunto mobilizaram mais de um milhão (contas por baixo) de pessoas.
De manhã a Procissão de Nossa Senhora da Aparecida, a Padroeira a quem o 12 de Outubro (é feriado) é dedicado, e a Meia Maratona do Rio de Janeiro. À tarde a foi a 13ª Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). E o 12 de Outubro é ainda o Dia das Crianças em todo o Brasil.
Apesar da confusão temática todos os eventos decorreram sem incidentes significativos. É assim o Rio: Tolerância 100!

mais Natal...

O Natal antigo, aquele do presépio de musgo com figurinhas de barro, banda de música e tudo, o Natal da Consoada com bacalhau com todos e vinho quente, da Missa do Galo, enfim, o Natal da família, está já em vias de extinção, e o seu futuro é tão certo como o do gelo antárquico: vai dissolver-se lentamente nas águas do consumismo...
O Natal que hoje está presente em todo o planeta, incluindo as nações não cristãs, é o Natal do décimo terceiro mês.
Os funcionários recebem a dobrar, gastam a triplicar. O comércio vende, a indústria produz, os bancos emprestam a taxas reluzentes, as companhias de seguro reforçam os PPR e até o governo e a segurança social arrecadam verbas multiplicadas!
Resultado: rostos sorridentes e um ambiente cheio de luzinhas, casas decoradas com milhares de lâmpadas intermitentes e estrelas "made in Taiwan", e um apelo irresistível aos cânticos natalícios, com uma forte ajuda das aparelhagens sonoras das grandes superfícies e das autarquias. E tanto faz serem cantadas em português, inglês ou em chinês. Não é a letra que conta, mas sim os sininhos que evocam a renas de São Nicolau, o Pai Natal escandinavo, carregado de presentes para as criancinhas que vão adivinhando já uma noite gorda...
Na gruta de Belém, a Virgem Mãe, o Santo Carpinteiro, os anjinhos, as ovelhinhas, o burro e a vaca perguntam-se onde é que eles entram nesta história?
Apenas o Menino nas palhas deitado continua com o seu sorriso tranquilo e confiante.
Afinal, é Ele quem escreve direito por linhas tortas...
Bom Natal para todos

Política internacional: Norte / Sul ou Leste / Oeste? Sei lá! Que se lixe...

Arrependi-me mal acabei de indicar este tema para a edição de hoje... É que sendo um assunto realmente importante, com abordagens a relações internacionais, públicas e privadas, equilíbrio geo-estratégico, globalidade dos efeitos da poluição, correria o sério risco de se tornar interessante, o que neste blog é simplesmente inaceitável.
Mas bem vistas as coisas, não deixa de ser verdade que o tema já teve melhores dias. Actualmente, com as novas tecnologias, as guerras são declaradas por e-mail, as execuções são gravadas em telemóvel e a Internet presta um serviço exemplar na divulgação dos mais escabrosos movimentos terroristas. Deixou de ser novidade, deixou de ter piada. Que nostalgia do tempo em que os embaixadores eram também mensageiros da desgraça, e saíam sem cabeça do castelo inimigo...
Já no âmbito das relações privadas (leia-se íntimas), também ninguém quer saber se o ou a parceira é do Norte ou do Sul, de Leste ou ocidental. Aqui, a norma é como a bandeira do CDS: o buraco tem que ser ao centro!
Por isso, e como acho que o último tema – Educação – foi abordado de forma muito leviana, volto para vos contar uma historieta verdadeira.
Estava eu no meu terceiro ano do Liceu (era assim que se chamava o actual sétimo ano no tempo da pedra lascada), finais dos anos sessenta do século passado (puta que pariu, estou mesmo velho...), e frequentava o único estabelecimento de ensino disponível na minha terra, Castanheira de Pera, que era privado.
Aqui os professores eram recrutados entre os quadros locais: padres, professores primários, gerentes bancários, farmacêutica... só para as cadeiras que não conseguiam ser preenchidas pela intelectualidade municipal é que vinham professores de fora. Apesar deste panorama a qualidade do ensino era aceitável e aferida pelos exames nacionais, que os alunos tinham sempre de cumprir, por se tratar de ensino privado. Penso que se houvesse um "ranking" na altura, o meu colégio ficaria por certo no "top ten" nacional (modéstia à parte, é verdade!).
Um desses professores era o prof. Eduardo, recém-chegado da guerra da Guiné, carregadinho de stress pós traumático, e que dava aulas de Física e Química.
Numa turma há sempre um puto armado aos cágados, e nesse dia eu estava para aí virado. Falava o professor dos movimentos de translação e rotação da Terra. Foi quando eu interrompi:
- Sr. professor: eu sei que o movimento de translação é provocado pela força de atracção gravitacional do Sol sobre a Terra. Mas porque é que a Terra gira sobre o seu eixo?
Eduardo corou na zona das bochechas que não estavam cobertas pela barba de missionário, ao mesmo tempo que lutava com duas forças dentro de si. Uma era a força da enorme ignorância sobre a resposta a dar. A outra era a vontade de dar um estalo àquele puto impertinente. Conteve-se, e após longos segundos de aparente meditação, ditou:
- Ó meu filho, porque Deus é muito grande!
Querem criancinhas educadas? Não as deixem abusar dos profs!

Educação

No meu tempo havia um menino de quem se contavam todas as anedotas que envolviam crianças irreverentes, mal-educadas, sexualmente precoces, mas sempre com um enorme sentido de humor. Era o menino Roboredo. Não sei como foram buscar tão ilustre apelido, mas de facto assim se chamava a personagem.Até que um dia apareceu na ribalta social e política, um cavalheiro chamado Roboredo. Coincidência feliz, ou feliz coincidência, o menino Roboredo que sobreviveu décadas às malhas dos pais e professores, teve morte súbita para dar o lugar ao menino Zéquinha…Zéquinha sempre é mais popular, e o povo não se importa de ser xingado. E se se importar, paciência, fica assim.Contava-se do menino Roboredo, que um dia foi convidado para ir à festa de anos de um menino que não tinha orelhas. Pais, corpo docente e discente, polícia e bombeiros entraram de prevenção. A reacção de Roboredo era imprevisível. Depois de inúmeros avisos recomendando contenção, a muito custo, o menino foi autorizado a ir ao aniversário.À chegada, e perante a estupefacção de todos os seus críticos, a postura do menino Roboredo foi irrepreensível, polida até.Cumprimentou com um aperto de mão o dito menino amputado dos pavilhões auriculares, com esta frase simpática:- Parabéns, e que Deus te conserve a vista!E seguiu para a festa, para alívio de todos os presentes.Os pais do menino sem orelhas, gratos pela entrada benévola de Roboredo, logo acorreram a cumprimentá-lo, e, curiosos, não resistiram a perguntar:- Menino Roboredo, diga-me, porque desejou que Deus conserve a vista ao nosso filho? É muito simpático da sua parte, mas não faz grande sentido…- Faz, faz! Retorquiu Roboredo – É que o puto não tem orelhas para segurar óculos!Se é que esta anedota tem alguma moral, é que nestas questões de educação não é nada conveniente abusar da sorte.Que o diga a minha avó! Uns primos do norte, com aquela linguagem inocente e espontânea, passavam umas férias lá em casa.Um dia, a prima do meio irrompe sala a dentro, e proclama:-Avó, a Cristina (a prima mais nova) disse uma quantidade de asneiras!A minha avó, burguesa lisboeta, na inocência dos seus setenta anos, perguntou despreocupada:-E o que é que ela disse?Vou poupar aos meus leitores o rol de palavrões que a minha prima debitou em menos de quinze segundos, capazes de fazer corar um carroceiro.Querem criancinhas educadas? Não abusem da paciência delas!Hoje em dia o Roboredo até já foi ministro (digo eu…), a minha prima Cristina é pintora famosa, a minha avó morreu com o vocabulário enriquecido, e o puto sem orelhas deve ter ido para piloto aviador, porque tinha olhar de lince! O Zéquinha é trolha em Aljezur.Só famosos (digo eu…). Deixem as criancinhas em paz!Para a próxima edição:Política internacional: Norte / Sul ou Leste / Oeste?

Moral e justiça na aplicação tributária do Estado Português

Diálogo entre dois humanos, logo, logo após a evolução de uns pitecos quaisquer:
- Brok krak tei té té té dun aaté roki zás tás! (tens que me dar três de cada dez lascas que faças)
- Ué? (Porquê?)
- Tá trok ark torika farnika! (Para eu garantir a tua segurança e protecção!)
- Na na torika farnika. Na num udtorikato taí. (Não preciso de segurança ou protecção. Não há ameaças por perto.)
Pimba! Cachaporrada (golpe vibrado com cachaporra, ou porra grande, ou uma grande porra, como diz o meu primo Elias) no pé do segundo interlocutor.
- Uh Uh Uh Uh. Ká prorra keteré? (Ai, Ai, Ai, mas porque é que me bateste?)
- Tá intéte num udtorikato taí! (Para perceberes que há ameaças por perto!)
Centenas de milhares de anos depois a moral e a justiça na aplicação tributária do Estado Português continua a reger-se pelos princípios básicos desta conversa de humanos pós humanóides, mas com o pormenor de ter sido requintada com todos estes séculos de evolução.
Agora o Estado diz-nos que temos que continuar a pagar lascas, mas não só sobre as que fazemos (os impostos sobre o rendimento), mas também sobre as que os outros fazem (os impostos indirectos!). Em troca, oferece-nos protecção e segurança, se, e este "se" vale milhões em lascas e votos, se habitarmos onde habitam a maioria dos actuais humanos.
E diz-nos assim o querido Estado: Tu pagas-me, e pagas-me o mesmo que os outros pagam, porque a isto chama-se justiça tributária. Mas como vives num sítio onde quase ninguém vive, as tuas lascas vão para assegurar a protecção e segurança dos outros que vivem em grandes colónias, que quer dizer, em politiquês, muitos votos! Tiramos-te os teus tribunais, escolas, postos policiais, centros de saúde, postos postais, e outros serviços que a gente se vá lembrando, porque tu não vales um chavelho das lascas que se lá gasta! Percebes?
- Não, e até acho que preferia a cachaporrada…

Não perca a próxima edição: Educação!
MASKAGANDASÉCA! Num computador próximo de si…

Orientação profissional

Os rapazes e raparigas do meu tempo lembram-se bem da orientação profissional que tínhamos. Começava na primária, depois no liceu, e para alguns continuava até mesmo já na Universidade. Regra geral (e não há regra sem excepção) os conselheiros profissionais eram os pais. E, também, regra geral (e também não há regra sem excepção), os filhos, bem aconselhados e obedientes, eram o que pais também eram. Filhos de médicos davam médicos, filhos de juristas, juristas davam. Juristas numa família de médicos eram olhados de soslaio, médico em casa de juristas, tinha garantidos risinhos e insinuações constantes acerca da sua capacidade intelectual. E o mesmo se passava com engenheiros (e dentro destes as respectivas especializações) arquitectos (que desgraça), veterinários (equiparados a subespécie licenciada), e os outros, licenciados em coisas que não davam para coisa nenhuma, como se dizia na altura.
E até era comum, no princípio do século passado, filhos de padres darem em padres. O que demonstra a eficácia dos métodos de orientação aplicados: porrada (antes de teres tempo de dizer "Licenciatura em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra" já estavas c'uma lostra enfiada no focinho), castigos físicos (agora vais cortar a relva qué pra veres o c'a vida custa...), tortura psicológica (tipo "ai queres ir pra filosofia? Atão vai dizendo adeus ao pó-pó...).
Hoje em dia, graças à televisão, comunicações por satélite, GPS, Internet e outras coisas mais chamadas Tecnologias da Informação, já não são possíveis estas barbaridades. Até porque há muito mais profissões, e muito mais interessantes do que antigamente.
Li noutro dia, acho que foi no Mundo Louco do Correio da Manhã, que um senhor italiano, assistente de realização de desfiles de moda, tem como função estimular os mamilos das modelos antes de estas entrarem na passerelle, para aparecerem com os peitinhos todos espetadinhos prá frente, como é da norma.
Quando contei isto numa roda de amigos, alguns salivaram como o cão do Pavlov, e ditaram logo a sentença: a melhor profissão do mundo!
Mentira, digo eu. É tão mentira que (não averiguei, mas deve ser) é considerada pelo Ministério da Segurança Social de Itália uma profissão de desgaste rápido.
E imaginem. Se o homem é homossexual, passa uma seca daquelas em cada sessão de trabalho (imagine-se o meu leitor hetero a ter que estimular qualquer coisa numa equipa de futebol masculina, por exemplo). E com a agravante de os modelos homens, a que ele poderia achar alguma piada, não precisarem de mamilos estimulados. Se o homem é heterossexual, imagine-se o estado do pobre desgraçado ao fim de um dia de trabalho... hipersensibilidade, olhos encovados, língua seca, dedos nervosos, enfim, uma lástima! E a pensar "olha eu que recusei um lugar na brigada de minas e armadilhas por causa do stress...".
E agora, acham que este italiano tem um grande emprego? E terá tido uma boa orientação profissional? Onde andava o pai dele? Ou será que o pai dele também estimulava mamilos, e estamos perante uma antiga família de estimuladores de mamilos? Também não averiguei, mas não me parece.
Parece-me é que anda pr'aí é muita falta de lostras bem afiladas no focinho. Isso sim!
Prá semana:
Moral e justiça na aplicação tributária do Estado Português. MASKAGANDASECA!

O celibato dos padres

Sempre achei que este assunto só diz respeito à Santa Madre Igreja e aos padres. O que é que nós temos a ver com isto? Mas... não resisto! Será que é assim tão ruim o voto de celibato?
Desde que a Igreja é instituição que os padres, apesar de não casarem, têm filhos. Das mais variadas procedências. Como admito que o Divino Espírito Santo não se mete nestas coisas vai para mais de dois mil anos, por exclusão de partes chegamos ao cerne da questão: Sexo.
E sexo, para a Santa Madre Igreja, é, quando muito, pecado. E os pecados, a Católica instituição resolve-os de maneira simples e eficaz: a confissão!
É assim como uma pílula do dia seguinte:
- Querido, vem para a cama!
- Já vou amor. Estou a consultar o horário das confissões do Pe. José para amanhã de manhã. É que já não sei se ele queria que o confessasse também...
Não se sabe se no Além haverá algum sistema de contagem de pontos, tipo infracções da carta de condução, mas enquanto andarmos pelo planeta, o esquema é: uma confissão "deleta" todas as entradas anteriores.
E até para as hierarquias superiores é um problema de importância relativa, desde que praticado com a pessoa própria:
- Senhor Bispo, olhe que o Pe. Manoel anda a praticar sexo com regularidade!
- Com quem padre?
- É com "F", Senhor Bispo.
O Senhor Bispo baixa o olhar em atitude de reflexão, e breves momentos depois, com um encolher de ombros, diz aliviado:
- Do mal, o menos, padre, ao menos é pessoa de maioridade...
As preocupações da Igreja Católica podem ser bem mais reais e quantificáveis: basta atentar ao que se está a passar na Arquidiocese de Los Angeles, Califórnia, onde o Sr. Bispo teve que vender património para pagar indemnizações judiciais por abuso sexual de menores, por parte de vários religiosos da sua circunscrição.
E na verdade os padres podem até, quase constituir uma família, quase tradicional, dependendo do local onde residam e exerçam o sacerdócio, e, claro, desde que com a discrição própria da função e do estatuto.
Casar é que não. Definitivamente não! É uma pouca-vergonhice e distrai os ministros de Deus das suas funções!
E bem vistas as coisas, acabam por ser beneficiados com a situação. Quantos homens e mulheres estariam hoje agradecidos se na hora de dizer o sim fatal, lhes tivesse sido lançado pelo Divino um anátema, tipo: Não casarás!
Além disso o casamento está a cair no esquecimento. A maior parte dos meus amigos e amigas com menos de trinta anos não são casados, apesar de fazerem vida em conjunto.
E se calhar é por isso que o Vaticano continua a não autorizar os padres a casar: é que agora a reforma pecava por tardia. Já ninguém queria!
Estejam atentos. A próxima entrada vai ser de secar os fígados a um padre:
Orientação profissional
Tchan Tchan! Gostaram?

AQUECIMENTO GLOBAL

Cá para mim estão a fazer uma tempestade num copo d' água. Com o dinheiro que vou poupar em aquecimento no Inverno posso ir passar umas boas férias ao Brasil, um sítio que já não dá para aquecer mais e nem por isso deixa de ser um paraíso!
Bem vistas as coisas, são várias as vantagens. A subida do nível das águas do mar, por exemplo, é baril! Estou a 80 quilómetros do mar e vou ficar a 20! Desde, claro, que seja tudo de uma vez, porque nós por cá temos a Praia das Rocas com o slogan: "Ondas a 80 quilómetros do Mar…" e não dava jeito nenhum andar sempre a emendar "Ondas a 65kms do mar", a 58, a 35. Tudo de uma vez ou não assino! E com aviso de antecedência para a malta desatar a comprar terrenos, como na Ota… e com garantias de acontecer, para não acontecer como na Ota.
E para o actual litoral era também uma bênção. Tão desordenado que está, a única maneira de consertar era fazer tudo de novo. E aí está a oportunidade! Pensem no motor que representava para a economia: um Algarve novo, por exemplo, com uma nova orla marítima para estragar. Anos e anos de mais betão, autarcas para corromper outra vez, planos directores completamente reformulados, já com mecanismos de fuga incorporados, que desta vez não havia a desculpa da inexperiência…
E aqueles familiares que vivem na capital há tanto e tanto tempo, e que a gente só vê em casamentos e funerais, também voltavam às raízes.
Depois de décadas de afastamento, eis que nos começávamos a cruzar com eles nos cafés. "Olá Tia Jacinta" schmac, schmac, dois beijinhos. O tio Ismael, continua… morto não é verdade? Olá primo Luís, schmac, schmac, dois beijinhos? Tás… diferente, mais… Olha não vás para aí que é a casa de banho das senhoras. Ahan? Ai sim, fizeste? Não sabia… é o que dá não haver um funeral há cinco anos… Não que me faça alguma diferença, a prima Luísa faz do corpo dele o que quiser e ninguém tem nada com isso!
Mas para mim o mais atraente era trazer o litoral para o pé de casa. E com ele tudo o que ele significa: gente, trânsito, gente, semáforos (cá só temos dois e estão quase sempre avariados), gente, estacionamento caótico, gente, poluição…
Bem, bem… nada de mudar de assunto, senão vocês não conseguem ficar deprimidos. Vou mudar uma lâmpadas lá em casa, que estão a gastar muito, separar um monte de lixo para a reciclagem, que esse tal de aquecimento global… hum, já não sei não…
Tratem-se!

APRESENTAÇÃO

MASKANGANDASECA!
Este é um blog declaradamente deprimente. Destina-se às pessoas que pensam que são felizes. Que pensam tanto que são tão felizes, que tem que haver alguém que os faça voltar à terra.
A felicidade é como aquela história dos três FFF – Fado, Fátima e Futebol. Ou do Samba, Carnaval e Futebol. Pura alienação!
Ninguém em seu perfeito estado mental é assim tão feliz. Florzinhas, passarinhos, borboletas, amor e blá, blá, blá, são instrumentos do poder para melhor manietar os cidadãos comuns como vocês. Depois há uma elite de iluminados, na qual eu humildemente me incluo, com a função de vos curar essas cabecinhas ocas.
Pensem bem. Depois de uns momentos de felicidade, há sempre o reverso da medalha, o cair na triste e dura realidade. Depois daquela louca noite de amor vem a multa de estacionamento, porque não houve tempo de estacionar bem o carro… E na próxima vez pode estar a concorrência à espera: um metro e noventa de músculo em fúria de corno…hiiii. É, o amor é louco. E as flores, que lindas não são? É pena serem também organismos geneticamente transformados, daqueles que dentro de alguns anos vão aniquilar a concorrência dos outros organismos e dominar o mundo. Ah pois é! E ainda por cima são criadas na Holanda com mão-de-obra escrava portuguesa. Devias era esfregar-lhas no focinho, o sem vergonha!
Más notícias também para os "gourmets", aqueles para quem uma boa refeição os deixa às portas do Paraíso… podem ir actualizando o seguro de saúde (tadinhas das seguradoras, cobram tão pouquinho). É que aquele bife tenrinho, em sangue, vem carregadinho de hormonas e dioxinas, o peixe de mercúrio e outros metais pesados, o camarão atira o colesterol para o Guiness Book e a salada com vestígios de pesticidas, daqueles que são proibidos mas que a gente usa na mesma para ganhar mais umas coroas… Já para não falar da BT que adora cumprimentar os senhores automobilistas depois de uma garrafita de vinho e dois cognacs.
E para quem encontra a felicidade no trabalho e nas carreiras, também há novidades. Haviam de saber o que é que o chefe pensa deles. E os alunos? É melhor nem saber. Mas o melhor de tudo é o que o ministro das finanças lhes está a preparar no seu castelo da Transilvânia, entre gargalhadas de loucura. Pois, pois, trabalhar é bom mas é para o Estado, não se esqueçam…
Neste blog vão encontrar apenas temas chatos. Daqueles tão banais e recorrentes que já ninguém quer ouvir falar neles. Alguns serão tão excitantes como a Contabilidade Analítica de Exploração no Pós Guerra Fria… Tudo para vosso bem. Tudo para vos consertar a caixinha dos pirulitos. E por enquanto é à borla porque há muita concorrência por parte dos psiquiatras. Mas um dia destes vão ter de pagar estas linhas. E à saída, para não haver borlas! Olá se vão!
E agora, antes que fiquem realmente deprimidos e isto possa começar a ganhar algum interesse, aqui vai o tema de abertura:

Aquecimento Global!