Cá para mim estão a fazer uma tempestade num copo d' água. Com o dinheiro que vou poupar em aquecimento no Inverno posso ir passar umas boas férias ao Brasil, um sítio que já não dá para aquecer mais e nem por isso deixa de ser um paraíso!
Bem vistas as coisas, são várias as vantagens. A subida do nível das águas do mar, por exemplo, é baril! Estou a 80 quilómetros do mar e vou ficar a 20! Desde, claro, que seja tudo de uma vez, porque nós por cá temos a Praia das Rocas com o slogan: "Ondas a 80 quilómetros do Mar…" e não dava jeito nenhum andar sempre a emendar "Ondas a 65kms do mar", a 58, a 35. Tudo de uma vez ou não assino! E com aviso de antecedência para a malta desatar a comprar terrenos, como na Ota… e com garantias de acontecer, para não acontecer como na Ota.
E para o actual litoral era também uma bênção. Tão desordenado que está, a única maneira de consertar era fazer tudo de novo. E aí está a oportunidade! Pensem no motor que representava para a economia: um Algarve novo, por exemplo, com uma nova orla marítima para estragar. Anos e anos de mais betão, autarcas para corromper outra vez, planos directores completamente reformulados, já com mecanismos de fuga incorporados, que desta vez não havia a desculpa da inexperiência…
E aqueles familiares que vivem na capital há tanto e tanto tempo, e que a gente só vê em casamentos e funerais, também voltavam às raízes.
Depois de décadas de afastamento, eis que nos começávamos a cruzar com eles nos cafés. "Olá Tia Jacinta" schmac, schmac, dois beijinhos. O tio Ismael, continua… morto não é verdade? Olá primo Luís, schmac, schmac, dois beijinhos? Tás… diferente, mais… Olha não vás para aí que é a casa de banho das senhoras. Ahan? Ai sim, fizeste? Não sabia… é o que dá não haver um funeral há cinco anos… Não que me faça alguma diferença, a prima Luísa faz do corpo dele o que quiser e ninguém tem nada com isso!
Mas para mim o mais atraente era trazer o litoral para o pé de casa. E com ele tudo o que ele significa: gente, trânsito, gente, semáforos (cá só temos dois e estão quase sempre avariados), gente, estacionamento caótico, gente, poluição…
Bem, bem… nada de mudar de assunto, senão vocês não conseguem ficar deprimidos. Vou mudar uma lâmpadas lá em casa, que estão a gastar muito, separar um monte de lixo para a reciclagem, que esse tal de aquecimento global… hum, já não sei não…
Tratem-se!
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
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