quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Educação

No meu tempo havia um menino de quem se contavam todas as anedotas que envolviam crianças irreverentes, mal-educadas, sexualmente precoces, mas sempre com um enorme sentido de humor. Era o menino Roboredo. Não sei como foram buscar tão ilustre apelido, mas de facto assim se chamava a personagem.Até que um dia apareceu na ribalta social e política, um cavalheiro chamado Roboredo. Coincidência feliz, ou feliz coincidência, o menino Roboredo que sobreviveu décadas às malhas dos pais e professores, teve morte súbita para dar o lugar ao menino Zéquinha…Zéquinha sempre é mais popular, e o povo não se importa de ser xingado. E se se importar, paciência, fica assim.Contava-se do menino Roboredo, que um dia foi convidado para ir à festa de anos de um menino que não tinha orelhas. Pais, corpo docente e discente, polícia e bombeiros entraram de prevenção. A reacção de Roboredo era imprevisível. Depois de inúmeros avisos recomendando contenção, a muito custo, o menino foi autorizado a ir ao aniversário.À chegada, e perante a estupefacção de todos os seus críticos, a postura do menino Roboredo foi irrepreensível, polida até.Cumprimentou com um aperto de mão o dito menino amputado dos pavilhões auriculares, com esta frase simpática:- Parabéns, e que Deus te conserve a vista!E seguiu para a festa, para alívio de todos os presentes.Os pais do menino sem orelhas, gratos pela entrada benévola de Roboredo, logo acorreram a cumprimentá-lo, e, curiosos, não resistiram a perguntar:- Menino Roboredo, diga-me, porque desejou que Deus conserve a vista ao nosso filho? É muito simpático da sua parte, mas não faz grande sentido…- Faz, faz! Retorquiu Roboredo – É que o puto não tem orelhas para segurar óculos!Se é que esta anedota tem alguma moral, é que nestas questões de educação não é nada conveniente abusar da sorte.Que o diga a minha avó! Uns primos do norte, com aquela linguagem inocente e espontânea, passavam umas férias lá em casa.Um dia, a prima do meio irrompe sala a dentro, e proclama:-Avó, a Cristina (a prima mais nova) disse uma quantidade de asneiras!A minha avó, burguesa lisboeta, na inocência dos seus setenta anos, perguntou despreocupada:-E o que é que ela disse?Vou poupar aos meus leitores o rol de palavrões que a minha prima debitou em menos de quinze segundos, capazes de fazer corar um carroceiro.Querem criancinhas educadas? Não abusem da paciência delas!Hoje em dia o Roboredo até já foi ministro (digo eu…), a minha prima Cristina é pintora famosa, a minha avó morreu com o vocabulário enriquecido, e o puto sem orelhas deve ter ido para piloto aviador, porque tinha olhar de lince! O Zéquinha é trolha em Aljezur.Só famosos (digo eu…). Deixem as criancinhas em paz!Para a próxima edição:Política internacional: Norte / Sul ou Leste / Oeste?

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