Os rapazes e raparigas do meu tempo lembram-se bem da orientação profissional que tínhamos. Começava na primária, depois no liceu, e para alguns continuava até mesmo já na Universidade. Regra geral (e não há regra sem excepção) os conselheiros profissionais eram os pais. E, também, regra geral (e também não há regra sem excepção), os filhos, bem aconselhados e obedientes, eram o que pais também eram. Filhos de médicos davam médicos, filhos de juristas, juristas davam. Juristas numa família de médicos eram olhados de soslaio, médico em casa de juristas, tinha garantidos risinhos e insinuações constantes acerca da sua capacidade intelectual. E o mesmo se passava com engenheiros (e dentro destes as respectivas especializações) arquitectos (que desgraça), veterinários (equiparados a subespécie licenciada), e os outros, licenciados em coisas que não davam para coisa nenhuma, como se dizia na altura.
E até era comum, no princípio do século passado, filhos de padres darem em padres. O que demonstra a eficácia dos métodos de orientação aplicados: porrada (antes de teres tempo de dizer "Licenciatura em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra" já estavas c'uma lostra enfiada no focinho), castigos físicos (agora vais cortar a relva qué pra veres o c'a vida custa...), tortura psicológica (tipo "ai queres ir pra filosofia? Atão vai dizendo adeus ao pó-pó...).
Hoje em dia, graças à televisão, comunicações por satélite, GPS, Internet e outras coisas mais chamadas Tecnologias da Informação, já não são possíveis estas barbaridades. Até porque há muito mais profissões, e muito mais interessantes do que antigamente.
Li noutro dia, acho que foi no Mundo Louco do Correio da Manhã, que um senhor italiano, assistente de realização de desfiles de moda, tem como função estimular os mamilos das modelos antes de estas entrarem na passerelle, para aparecerem com os peitinhos todos espetadinhos prá frente, como é da norma.
Quando contei isto numa roda de amigos, alguns salivaram como o cão do Pavlov, e ditaram logo a sentença: a melhor profissão do mundo!
Mentira, digo eu. É tão mentira que (não averiguei, mas deve ser) é considerada pelo Ministério da Segurança Social de Itália uma profissão de desgaste rápido.
E imaginem. Se o homem é homossexual, passa uma seca daquelas em cada sessão de trabalho (imagine-se o meu leitor hetero a ter que estimular qualquer coisa numa equipa de futebol masculina, por exemplo). E com a agravante de os modelos homens, a que ele poderia achar alguma piada, não precisarem de mamilos estimulados. Se o homem é heterossexual, imagine-se o estado do pobre desgraçado ao fim de um dia de trabalho... hipersensibilidade, olhos encovados, língua seca, dedos nervosos, enfim, uma lástima! E a pensar "olha eu que recusei um lugar na brigada de minas e armadilhas por causa do stress...".
E agora, acham que este italiano tem um grande emprego? E terá tido uma boa orientação profissional? Onde andava o pai dele? Ou será que o pai dele também estimulava mamilos, e estamos perante uma antiga família de estimuladores de mamilos? Também não averiguei, mas não me parece.
Parece-me é que anda pr'aí é muita falta de lostras bem afiladas no focinho. Isso sim!
Prá semana:
Moral e justiça na aplicação tributária do Estado Português. MASKAGANDASECA!
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
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