Diálogo entre dois humanos, logo, logo após a evolução de uns pitecos quaisquer:
- Brok krak tei té té té dun aaté roki zás tás! (tens que me dar três de cada dez lascas que faças)
- Ué? (Porquê?)
- Tá trok ark torika farnika! (Para eu garantir a tua segurança e protecção!)
- Na na torika farnika. Na num udtorikato taí. (Não preciso de segurança ou protecção. Não há ameaças por perto.)
Pimba! Cachaporrada (golpe vibrado com cachaporra, ou porra grande, ou uma grande porra, como diz o meu primo Elias) no pé do segundo interlocutor.
- Uh Uh Uh Uh. Ká prorra keteré? (Ai, Ai, Ai, mas porque é que me bateste?)
- Tá intéte num udtorikato taí! (Para perceberes que há ameaças por perto!)
Centenas de milhares de anos depois a moral e a justiça na aplicação tributária do Estado Português continua a reger-se pelos princípios básicos desta conversa de humanos pós humanóides, mas com o pormenor de ter sido requintada com todos estes séculos de evolução.
Agora o Estado diz-nos que temos que continuar a pagar lascas, mas não só sobre as que fazemos (os impostos sobre o rendimento), mas também sobre as que os outros fazem (os impostos indirectos!). Em troca, oferece-nos protecção e segurança, se, e este "se" vale milhões em lascas e votos, se habitarmos onde habitam a maioria dos actuais humanos.
E diz-nos assim o querido Estado: Tu pagas-me, e pagas-me o mesmo que os outros pagam, porque a isto chama-se justiça tributária. Mas como vives num sítio onde quase ninguém vive, as tuas lascas vão para assegurar a protecção e segurança dos outros que vivem em grandes colónias, que quer dizer, em politiquês, muitos votos! Tiramos-te os teus tribunais, escolas, postos policiais, centros de saúde, postos postais, e outros serviços que a gente se vá lembrando, porque tu não vales um chavelho das lascas que se lá gasta! Percebes?
- Não, e até acho que preferia a cachaporrada…
Não perca a próxima edição: Educação!
MASKAGANDASÉCA! Num computador próximo de si…
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